quinta-feira, 6 de março de 2014

Chapeuzinho Vermelho - contação de história com fantoche






Contação de história


Contos Tradicionais
São historias que foram transmitidas oralmente ao longo das gerações, sem que se saiba ao certo quem as criou. Muitos deles ficaram conhecidos no mundo todo graças às versões escritas pelos Irmãos Grimm e por Hans Christian Andersen, entre outros.

CHAPEUZINHO VERMELHO
Irmãos Grimm

Era uma vez, numa pequena cidade às margens da floresta, uma menina de olhos negros e louros cabelos cacheados, tão graciosos quanto valiosa.
Um dia, com um retalho de tecido vermelho, sua mãe costurou para ela uma curta capa com capuz; ficou uma belezinha, combinando muito bem com os cabelos louros e os olhos negros da menina.
Daquele dia em diante, a menina não quis mais vestir outra roupa senão aquela e, com o tempo, os moradores da vila passaram a chamá-la de “Chapeuzinho Vermelho.”
Além da mãe, Chapeuzinho Vermelho só tinha uma avó bem velhinha, que nem conseguia mais sair de casa. Morava numa casinha no interior da mata.
De vez em quando ia lá visitá-la com sua mãe, e sempre levavam alguns mantimentos.
Um dia, a mãe da menina preparou algumas broas das quais a avó gostava muito, mas, quando acabou de assar os quitutes, estava  tão cansada que não tinha mais ânimo para andar pela floresta e levá-las para a velhinha.
Então, chamou a filha:
-  Chapeuzinho Vermelho, vá levar estas broinhas para a vovó.  Ela gostará muito. Disseram-me que há alguns dias ela não passa bem e, com certeza, não tem vontade de cozinhar.
- Vou agora mesmo mamãe.
-  Tome cuidado, não pare para conversar com ninguém e vá direitinho, sem desviar do caminho certo. Há muitos perigos na floresta!
- Tomarei cuidada, mamãe, não se preocupe.
A mão arrumou as broas em um cesto e colocou também um pote de geléia e um tablete de manteiga. A vovó gostava de comer as broinhas com manteiga fresquinha e geléia.
Chapeuzinho Vermelho pegou o cesto e foi embora. A mata era cerrada e escura. No meio das árvores somente se ouvia o chilrear de alguns pássaros e, ao longe, o ruído dos machados dos lenhadores.
A menina ia por uma trilha quando, de repente, apareceu-lhe na frente um lobo enorme, de pelo escuro e olhos brilhantes.
Olhando para aquela linda menina, o lobo pensou que ela devia ser macia e saborosa. Queria mesmo devorá-la num bocado só. Mas não teve coragem, temendo os cortadores de lenha que poderiam ouvir os gritos da vítima. Por isso, decidiu usar a astúcia.
- Bom dia, linda menina! - disse com voz doce.
- Bom dia!- respondeu Chapeuzinho Vermelho.
- Qual é seu nome?
- Chapeuzinho Vermelho.
- Um nome bem certinho pra você. Mas diga-me, Chapeuzinho Vermelho, onde está indo assim tão só?
- Vou visitar minha avó, que não está muito bem de saúde.
- Muito bem! E onde mora sua avó?
- Mais além, no interior da mata.
- Explique melhor, Chapeuzinho Vermelho.
- Numa casinha com as venezianas verdes, logo após o velho engenho de açúcar.
O lobo teve uma idéia e propôs:
-  Gostaria de ir também visitar a sua avó doente. Vamos fazer uma aposta, para ver quem chega primeiro. Eu irei por aquele atalho lá abaixo, e você poderá seguir por este.
Chapeuzinho Vermelho aceitou a proposta.
- Um,dois,três e já! – gritou o lobo.
Conhecendo a floresta tão bem quanto seu nariz, o seu lobo escolhera para ele o trajeto mais breve, e não demorou muito para alcançar a casinha da vovó.
Bateu à porta o mais delicadamente possível, com suas enormes patas.
- Quem é? – perguntou a avó.
O lobo fez uma vozinha doce, doce, para responder:
- Sou eu, sua netinha, vovó. Trago broas feitas em casa, um vidro de geléia e manteiga fresca.
A boa velhinha, que ainda estava deitada, respondeu:
- Puxe a tranca e a porta se abrirá.
O lobo entrou, chegou ao meio do quarto com um só pulo e devorou a pobre avozinha antes que ela pudesse gritar.
Em seguida, fechou a porta, enfiou-se embaixo das cobertas e ficou à espera de Chapeuzinho Vermelho.
A essa altura, Chapeuzinho Vermelho já tinha esquecido do lobo e da aposta sobre quem chegaria primeiro. Ia andando devagar pelo atalho, parando aqui e acolá: ora era atraída por uma árvore carregada de pitangas, ora ficava observando o vôo de uma borboleta, ou ainda um ágil esquilo. Parou um pouco para colher um maço de flores do campo, encantou-se a observar uma procissão de formigas e correu atrás de uma joaninha.
Finalmente, chegou à casa da vovó e bateu de leve na porta.
- Quem está aí? - perguntou o lobo, esquecendo de disfarçar a voz.
Chapeuzinho se espantou um pouco ao ouvir a voz rouca de sua avó, mas pensou que fosse porque ela ainda estava gripada.
Chapeuzinho Vermelho, sua netinha. Estou trazendo broinhas, um pote de geléia e manteiga bem fresquinha!
Mas aí o lobo se lembrou de afinar a voz cavernosa antes de responder:
- Puxe o trinco e a porta se abrirá.
Chapeuzinho Vermelho puxou o trinco e abriu a porta. O lobo estava escondido, embaixo das cobertas, só deixando aparecer à touca que a vovó usava para dormir.
- Coloque as broinhas, a geléia e a manteiga no guarda-comida, minha querida netinha, e venha aqui, até a minha cama. Tenho muito frio, e você me ajudará a me aquecer um pouquinho.
Chapeuzinho obedeceu e se enfiou embaixo das cobertas. Mas estranhou o aspecto da avó. Antes de tudo, estava muito peluda! Seria efeito da doença? E foi reparando:
- Oh, vovozinha, que braços longos você tem!
- São para abraçá-la melhor, minha querida!
- Oh, vovozinha, que olhos grandes você tem!
- São para enxergar também no escuro, minha menina!
­- Oh, vovozinha, que orelhas compridas você tem!
- São para ouvir tudo, queridinha!
­- Oh, vovozinha, que boca enorme você tem!
- É para engolir você melhor!!!
Assim dizendo, o lobo mau deu um pulo e, num movimento só, comeu a pobre Chapeuzinho Vermelho.
- Agora estou realmente satisfeito! – resmungou o lobo. Estou até com vontade de tirar uma soneca, antes de retomar meu caminho.
Voltou a se enfiar embaixo das cobertas, bem quentinho. Fechou os olhos e caiu no sono. Depois de alguns minutos já roncava, e como roncava! Uma britadeira teria feito menos barulho.
Algumas horas mais tarde, um caçador passou em frente à casa da vovó, ouviu o barulho e pensou: “Olha só como a velhinha ronca! Estará passando mal? Vou dar uma espiada.”
Abriu a porta, chegou perto da cama e...  Quem ele viu? O lobo que dormia como uma pedra, com uma enorme barriga, parecendo um grande balão.
O caçador ficou bem satisfeito. Há muito tempo estava procurando esse lobo, que já matara muitas ovelhas e cordeirinhos.
- Afinal você está aqui, velho malandro! Sua carreira terminou. Já vai ver!
Enfiou os cartuchos na espingarda e estava pronto para atirar, mas então lhe pareceu que a barriga do lobo estava se mexendo e pensou: “Aposto que este danado comeu a vovó, sem nem ter o trabalho de mastigá-la! Se foi isso, talvez eu ainda possa salvá-la!”
Guardou a espingarda, pegou a tesoura e, bem devagar, bem de leve, começou a cortar a barriga do lobo ainda adormecido.
Na primeira tesourada, apareceu um pedaço de pano vermelho; na segunda, uma cabecinha loura; na terceira, Chapeuzinho Vermelho pulou fora.
- Obrigada senhor caçador, agradeço muito por ter me libertado. Estava tão apertada, lá dentro é tão escuro... Faça outro pequeno corte, por favor, assim poderá libertar a minha avó, que o lobo comeu antes de mim.
O caçador recomeçou seu trabalho com a tesoura, e da barriga do lobo saiu também a vovó, um pouco estonteada, meio sufocada, mas viva.
- E agora? – perguntou o caçador. – Temos de castigar esse bicho como ele merece!
Chapeuzinho Vermelho foi correndo até a beira do córrego e apanhou uma grande quantidade de pedras redondas e lisas. Entregou-as ao caçador, que arrumou tudo bem direitinho dentro da barriga do lobo, antes de costurar os cortes que havia feito.
Em seguida, os três saíram da casa, esconderam-se entre as árvores e aguardaram.
Mais tarde, o lobo acordou com um peso estranho no estômago. Teria sido indigesta a vovó? Pulou da cama e foi beber água no córrego, mas as pedras pesavam tanto que, quando se abaixou, ele caiu na água e ficou preso no fundo do córrego.
O caçador foi embora contente e a vovó comeu com gosto as broinhas.
E Chapeuzinho Vermelho prometeu a si mesma nunca mais esquecer as conselhos da  mamãe: “Não pare para conversar com ninguém e vá em frente pelo seu caminho.”


sábado, 26 de outubro de 2013

A arte de contar histórias

                                                           " O MACACO E A VELHA"




domingo, 4 de agosto de 2013

A leitura na educação infantil é primordial, tanto quanto a postura do adulto leitor.






Conto popular recontado por Ana Maria Machado - Dona Baratinha

Dona Baratinha

Era uma vez uma baratinha que estava varrendo a casa e encontrou uma moeda.
Ficou toda animada, achando que estava rica e já podia casar.
Guardou o dinheiro com todo cuidado dentro de uma caixinha, tomou banho, se arrumou toda, botou uma fita no cabelo e foi para a janela procurar um noivo.
Toda vez que passava alguém, ela perguntava:
-Quem quer casar com Dona Baratinha, que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?
O primeiro bicho que respondeu foi um boi, que falou com uma voz bem grossa:
-EU QUERO!
Dona Baratinha perguntou:
-E como é que você faz de noite?
O boi respondeu?
-MUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!
Ela levou um susto:
-Ai, não! É muito barulho, não me deixa dormir. Sai fora!
E o boi foi embora.
Depois veio passando um cavalo.
Dona Baratinha perguntou:
--Quem quer casar com Dona Baratinha, que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?
O cavalo respondeu:
-EU QUERO!
Dona Baratinha perguntou:
-E como é que você faz de noite?
O cavalo respondeu:
-RIRRIRRIRRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!
Ela levou um susto:
-Ai, não! É muito barulho, não me deixa dormir. Sai fora!
E o cavalo foi embora.
Depois veio passando um cachorro.
Dona Baratinha perguntou:
--Quem quer casar com Dona Baratinha, que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?
O cachorro respondeu:
-EU QUERO!
Dona Baratinha perguntou:
-E como é que você faz de noite?
O cachorro respondeu:
-AU, AU, AU, AU, AU, AU, AU, AU!!!!!!!!!!!!!
Ela levou um susto:
-Ai, não! É muito barulho, não me deixa dormir. Sai fora!
E o cachorro foi embora.
Depois veio passando um bode.
Dona Baratinha perguntou:
--Quem quer casar com Dona Baratinha, que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?
O bode respondeu:
-EU QUERO!
Dona Baratinha perguntou:
-E como é que você faz de noite?
O bode respondeu:
-BÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Ela levou um susto:
-Ai, não! É muito barulho, não me deixa dormir. Sai fora!
E o bode foi embora.
Depois veio passando um carneiro.
Dona Baratinha perguntou:
--Quem quer casar com Dona Baratinha, que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?
O carneiro respondeu:
-EU QUERO!
Dona Baratinha perguntou:
-E como é que você faz de noite?
O carneiro respondeu:
-BÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Ela levou um susto:
-Ai, não! É muito barulho, não me deixa dormir. Sai fora!
E o carneiro foi embora.
Depois veio passando um gato.
Dona Baratinha perguntou:
--Quem quer casar com Dona Baratinha, que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?
O gato respondeu:
-EU QUERO!
Dona Baratinha perguntou:
-E como é que você faz de noite?
O gato respondeu:
-MIAAAAAAAAAAAAAAU!!!
Ela levou um susto:
-Ai, não! É muito barulho, não me deixa dormir. Sai fora!
E o gato foi embora.
Depois veio passando um galo.
Dona Baratinha perguntou:
--Quem quer casar com Dona Baratinha, que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?
O galo respondeu:
-EU QUERO!
Dona Baratinha perguntou:
-E como é que você faz de noite?
O galo respondeu:
-COCOROCÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ!!!!
Ela levou um susto:
-Ai, não! É muito barulho, não me deixa dormir. Sai fora!
E o galo foi embora.
Depois veio passando um papagaio.
Dona Baratinha perguntou:
--Quem quer casar com Dona Baratinha, que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?
O papagaio respondeu:
-EU QUERO!
Dona Baratinha perguntou:
-E como é que você faz de noite?
O papagaio respondeu:
-CURRUPACO PAPACO!!!!!!
Ela levou um susto:
-Ai, não! É muito barulho, não me deixa dormir. Sai fora!
E o papagaio foi embora.
Dona Baratinha já estava quase desistindo, quando veio passando um ratinho.
Dona Baratinha perguntou:
--Quem quer casar com Dona Baratinha, que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?
O ratinho respondeu:
-Eu quero!!!!!
Dona Baratinha perguntou:
-E como é que você faz de noite?
O ratinho respondeu:
-Cuim, cuim, cuim!...
Ela nem conseguiu ouvir direito, teve que pedir a ele para repetir umas duas vezes. Então concordou:
E começaram os preparativos para a grande festa do casamento. Mandaram convites para tudo o quanto era bicho manso, encomendaram flores de tudo quanto era perfume e cor, contrataram abelhas para fazer tudo quanto era doce gostoso, e mais um bolo de quatro andares, todo branquinho com uns bonecos no alto representando os noivos.
Mas o ratinho não estava satisfeito. Ficava toda hora dizendo:
-Só doce e bolo não serve pra nada. Casamento tem que ter feijoada.
Tanto falou que convenceu a noiva, e ela tratou de descobrir as mais fantásticas cozinheiras para prepararem uma feijoada maravilhosa.
E elas vieram.
Trouxeram sacos de feijão novo, colhido poucos dias antes, bem macio. Deixaram as carnes de molho desde a véspera, para não ficarem muito salgadas. Escolheram laranjas bem doces e levantaram  bem cedo no dia do casamento para colher couve fresquinha na horta.
No dia desde a madrugada, o feijão cozinhava no caldeirão, no meio de muito toucinho, paio, linguiça, lombinho, carne seca e mais uma porção de carnes defumadas e salgadas.
Na cozinha, todo mundo estava ocupado com os acompanhamentos, fazendo arroz e farofa, picando laranja, cortando couve em tirinhas...
E o cheiro daquela feijoada deliciosa se espalhava por toda a vizinhança.
Na hora do casamento, Dona Baratinha pegou o buquê, ajeitou o véu na cabeça, deu o braço ao Seu Besouro, que era o padrinho, se encarapitou com ele no alto de um Caramujo todo enfeitado e foi para a igreja.
Quando chegou lá e ia entrar, Dona Joaninha, toda elegante em seu vestido vermelho de pintinhas pretas, veio correndo avisar:
-Não entra ainda não, que o noivo está atrasado!
Eles deram uma voltinha na praça, devagarzinho, a passo de Caramujo.
Quando chegaram de novo na igreja, antes de saltarem do alto da concha, lá veio a Dona Esperança, toda elegante em seu vestido verde:
-É melhor não entrar, para não ficar esperando no altar...
Muito sem graça, Dona Baratinha deu outra volta na praça.
Na hora em que aconteceu pela terceira vez, Dona Baratinha ficou furiosa:
-Mas quem esse ratinho pensa que é para me fazer esperar dessa maneira? Será que ele acha que casamento é brincadeira?
E resolveu:
-Assim não caso mais.
Virou as costas e mandou o caramujo voltar para casa, deixando Seu Besouro encarregado de pedir desculpas aos convidados.
Já estava quase chegando a casa, quando encontrou com o bando de cozinheiras que vinha correndo pela rua, todas falando ao mesmo tempo, gritando e chorando:
-Ai!Aconteceu uma tragédia, ocorreu uma desgraça!
-Uma coisa muito triste, tristeza que nunca passa!
Era tanta confusão que Dona Baratinha custou a entender o que elas diziam
Aos poucos, foram se acalmando e contando.
O guloso do ratinho ia para a igreja quando sentiu aquele cheirinho delicioso da feijoada cozinhando resolveu ver de perto. Foi até a cozinha, levantou a tampa da panela e o cheiro foi mais forte ainda. Com todo o cuidado, subiu na alça do caldeirão, passou para a borda e...
SPLASH!
Perdeu o equilíbrio e caiu lá dentro!
E aí não teve mais jeito, foi uma perda danada. Perdeu-se o noivo e a feijoada.Por isso é que agora as cozinheiras repetiam:
-O Seu Ratinho está no meio do toucinho...
-O Seu Ratinho está com o feijão no caldeirão...
Dona Baratinha primeiro caiu no choro. Que tristeza, ficar viúva antes de casa!
Depois, pouco a pouco, entre um soluço e outro, foi tirando o vestido de noiva, botando uma roupa mais confortável e ficou pensando:
-Coitado do ratinho! Mas para mim foi uma sorte. Não podia dar certo um casamento com um noivo que gosta mais de feijão do que de mim.Melhor eu ficar sozinha e gastar o meu dinheiro pra me divertir.
E assim fez.






 
















Era uma vez, no tempo em que os bichos falavam, uma baratinha...





















Contação de história

Dona Baratinha
Era uma vez uma Baratinha que adorava arrumar sua casinha.
Todos os dias varria e limpava.
E quando tudo estava limpinho, satisfeita ela ficava.
Mas certa vez,ao varrer o chão, Dona Baratinha achou um tostão.

Ficou tão alegre que não se conteve.
Arrumou-se todinha e foi fazer umas comprinhas.
Com o tostão que achou, Dona Baratinha não economizou.

Comprou tudo que achava necessário. Móveis, cortinas, geladeira, fogão e televisão.
Comprou também sapatos e vestidos de algodão.Jóias e laços de fita.Queria ficar bonita.
Comprou muitos doces também, afinal, é uma barata e barata que se preze adora uns docinhos.

O troco ela guardou num cantinho especial, uma caixinha forrada de cetim que ganhou no último Natal.
Toda arrumada e sorridente, Dona Baratinha resolveu arrumar um pretendente.
Agora que possuía dote, queria se casar. Então foi para a janela e começou a cantar:
"Quem quer casar com a dona Baratinha, que tem fita no cabelo
E tem dinheiro na caixinha?"

Foi quando passou pela rua um boi todo animado.
_ Eu quero – o boi mugiu.
E ela com voz delicada pediu:
_ Senhor boi, quero saber o som que o senhor faz?
O boi educadamente encheu o peito e respondeu:
_ Múuuuuuuuuuuuuuu

Dona Baratinha correu lá pra dentro assustada.
Deu um suspiro e retornou à janela decepcionada.
_ Ah! – Dona Baratinha se abanava toda afobada.
– Não posso me casar com o senhor, seu mugido me assusta.
O boi foi embora, e ela fincou os cotovelos na janela outra vez, esperando que passasse outro pretendente.

Não tardou e apareceu um burrinho.
A Baratinha então cantou:
"Quem quer casar com a dona Baratinha, que tem fita no cabelo.
E tem dinheiro na caixinha?"

O burrinho parou diante da janela e deu um zurro tão alto que estremeceu a casa.
_ Eu quero!
_Mas... o senhor zurra assim sempre? – perguntou a dona Baratinha, trêmula do susto.
_ Às vezes consigo mais alto! –respondeu o burrinho sorridente.
_Deus me livre de casar com você, senhor burrinho. Não suportaria seu barulho.
O burro foi embora todo decepcionado.

Dona Baratinha se encostou novamente na beirada da janela.Arrumava a fita na cabeça e dava longos suspiros.
Foi então que passou um cabrito, bonito e elegante.
Dona Baratinha pôr-se a cantar no mesmo instante:
"Quem quer casar com a dona Baratinha, que tem fita no cabelo.
E tem dinheiro na caixinha?"

_ Eu quero! – berrou o cabrito, todo empolgado.
_ Então me diga senhor cabrito, que barulhinho o senhor faz?
O cabrito encheu o peito e berrou até não agüentar mais:
_ Bééééhhhhhhhhhh
_Ai! credo, senhor cabrito, que barulheira– gritou dona Baratinha tampando as orelhinhas.
– Não dá pra casar com quem berra desse jeito!
O cabrito, então, foi embora cabisbaixo. Dona Baratinha ajeitou os cotovelos em cima de uma almofada macia, talvez a demora fosse grande, assim ela previa.

Já um pouco desanimada, ainda com os cotovelos na almofada, a baratinha avistou Dom Ratão se aproximar.Aqueceu a Voz e começou a cantar:
“Mimimi... Quem quer casar com a dona Baratinha, que tem fita no cabelo
E tem dinheiro na caixinha?"

Dom Ratão parou então, bem em frente à sua janela.
_Como alguém pode não querer casar com uma senhora tão bela?
Dona Baratinha ficou toda animada.

_Então me responda Dom Ratão, que barulhinho o senhor faz?

_ Ah! sou discreto, minha senhora, faço só esse barulhinho: Mick, Mick, Mick.

_Que barulhinho mais fofo! Isso sim é que é voz! Assim, não pode me assustar.

Dona Baratinha então aceitou o pedido de casamento de Dom Ratão.

Ficaram noivos.

O casamento foi marcado para dois dias depois. No dia do casamento foi preparada uma super festa.
O troco do tostão estava rendendo... Uma comilança havia sido preparada.

Muitos doces como a baratinha desejava, além do prato preferido do noivo: um caldeirão de feijoada.
O aroma das comidas invadia a casa toda.

Porém era o cheirinho da Feijoada o que mais se destacava.
Dom Ratão chegou à festa todo arrumado de cartola e gravata. Muito elegante esperava que a noiva se aprontasse, enquanto andava pela casa.
Alguns convidados haviam chegado, Dona Besouro organizava todo o cerimonial. E o casamento aconteceria ali mesmo na casa da Dona Baratinha, no meio do quintal.
Dom Ratão sentiu o aroma delicioso do feijão, foi sorrateiro para a cozinha e não foi visto desde então.

Dona Baratinha desceu as escadas, num lindo vestido branco. Segurando o seu buquê de flores.
A música começou a tocar e os convidados todos abriam caminho para Dona Baratinha passar.
A caminho do altar, improvisado no quintal a baratinha sorria feliz, casar era tudo que ela sempre quis.
A noiva chegou então, ao início do tapete vermelho, todos olhavam em sua direção e assim começou uma grande confusão.
_ Espera Dona Baratinha, você ainda não pode entrar, pois o noivo não está no altar. -disse Dona Besouro.
_ Ah! que tormento, será que ele desistiu do casamento? – falou a baratinha já bastante triste.
_ Calma minha gente, ele estava lá na cozinha, verificando o que o cozinheiro fazia.
– Disse um dos convidados.

Dona Baratinha saiu apressada segurando a barra do vestido com cuidado para não ficar amarrotada. Dona Besouro a seguiu.
Chegando na cozinha Dona Baratinha mal acreditou no que viu.
Dom Ratão com muita gula havia caído na panela de feijão. Como estava muito quente ele acabou desmaiando.O Cozinheiro Sr Macaco, segurando um grande garfo, pescou o rato queimado de dentro do caldeirão.
Dom Ratão foi socorrido e levado para o hospital. Com muita vergonha dos amigos ele acabou mudando para outro local.

A Baratinha desconsolada ficou sem casamento.
Dizem que daquele dia em diante ela passou a ser ainda mais exigente, continuava na janela à procura de um pretendente.
E para todo solteiro que passava aquela mesma música a baratinha cantava:
"Quem quer casar com a dona Baratinha, que tem fita no cabelo
E tem dinheiro na caixinha?

Adaptação de Christiane Angelotti
Fonte: A origem da clássica história da Dona Baratinha é incerta. O registro mais antigo é de 1872, intitulado "Histórias da Carochinha", manuscrito que se encontra na Torre do Tombo, em Lisboa. Era uma crítica às mulheres solteironas que procuravam conquistar seus pretendentes com suas fortunas. Falando principalmente de amor, o conto aborda também outros temas, como a solidão, a partilha, o respeito pela personalidade de cada um, contestando também o verdadeiro valor do dinheiro e do amor. (viahttp://www.teresopolisjornal.com.br)


‘’O Casamento de Dona Baratinha’’ é o primeiro conto infantil traduzido do português de Portugal para o Brasil publicado em “Contos da Carochinha”.